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Mostrando postagens de abril, 2013

Não é da saudade se acostumar.

Era mais uma daquelas conversas de ônibus entre dois velhos amigos pelo que percebi. Era cedo também, meu sono mal havia despertado. "- Nunca vou esquecer quando levei aquele puxão de orelhas da tua mãe! - Ah, coitada da minha velha - a voz saiu com aquele jeito carinhoso, todo cheio de amor, lembranças e... saudade. - É, coitada da velhinha, teve que me aturar!" E caíram no riso. Mas no meio daquele riso e do meu sono escondido atrás da velha tática dos óculos escuros, enxerguei a saudade pelas lentes claras do óculos de grau daquela senhora com seus cabelos brancos e rugas que podem enganar, mas denunciavam lá os seus 70 anos. E quando vi aquela saudade perdida e estampada entre os risos das lembranças dos dois velhos amigos, de sobressalto "senti muito", como se sente em todas as mortes, até naquelas muito vivas, e depois me interrompi por um pensamento: "ah, mas pelo jeito como eles falam, ela parece ter morrido faz tempo. A filha deve ter se ...