...A lua flutuava imensa sobre o rio Saugus, e ele desceu o vidro da janela. - Olhe - ele disse. - Está maior hoje. Deve estar mais próxima de nós.
- Não - disse Charlie. - Está sempre a mesma distância. É só uma ilusão de ótica.
- O que é ilusão de ótica?
- É quando seus olhos pregam uma peça em você.
- Que tipo de peça?
- Em qualquer lugar que a lua esteja no céu - disse Charlie -, ela sempre vai estar a 363.223 quilômetros de distância - ele fez as contas, era bom em matemática. - Na velocidade em que estamos, demoraria uns 170 dias para chegarmos lá.
- Acho que a mamãe não iria gostar disso - disse Sam.
- E a Sra. Pung não iria gostar da quilometragem no marcador do carro.
Os garotos riram. Então Sam disse:
- Não é uma ilusão de ótica. Ela está mais perto hoje, eu juro. Olhe, dá pra ver uma aura, assim como a de um anjo.
- Isso não existe - disse Charlie. - Isso é a refração dos cristais de gelo na parte de cima da atmosfera.
- Ah, eu achei que era a refração dos cristais de gelo na sua bunda! - Sam riu alto, e Oscar latiu uma série de "aus" agudos e distintos.
Charlie verificou os retrovisores, endireitou o carro pela estrada e deu uma rápida olhada à direita. A lua tremeluzia por entre a armação de ferro da ponte levadiça, acompanhando-os no seu caminho para casa. Ela realmente parecia estar mais perto do que nunca nesta noite. Ele virou a cabeça para enxergar melhor. Ele pensou que a ponte estava vazia, e pisou no acelerador.
De todas as suas decisões impensadas naquela noite, esta com certeza foi a pior de todas. Charlie tentava ultrapassar a lua e, no último segundo, ele viu a imagem perfeita da felicidade. O rosto inocente de Sam olhando para ele. Um cacho castanho balançando em frente a sua testa. A luva Rawlings em sua mão. E, depois, somente vidro quebrado, metal e escuridão.

(Morte e vida de Charlie St. Cloud)

[Só porque eu gosto da lua *-*.)

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